quarta-feira, 4 de junho de 2014

O verdadeiro espírita.


Li esse texto e achei fantástico, é exatamente o que ouvimos toda semana nas palestras e o que encontramos nos livros... Parece simples mas na realidade da vida vemos que não é tão fácil. Esses dias ouvi um palestrante dizer que se alguém quisesse praticar a caridade deveria antes se voltar para seus próximos e por ali iniciar seu trabalho.

Ser caridoso com o desconhecido que em nada nos incomoda é fácil, difícil é ser gentil, amoroso e carinhoso com aquele irmão que está ao nosso lado todos os dias, com aquele que é diferente, com os que discordam, com os que nos conhecem os erros e acertos... O verdadeiro espírita sabe que está muito longe da caridade verdadeira, sabe e reconhece que está apenas no início da escada, sem nem ao menos subir o primeiro degrau...

Ser bondoso dentro da igreja, dentro de um templo, dentro de um centro, dentro de uma casa espírita e virar as costas para seu irmão que está passando por um momento de dificuldade é o mesmo que nada para a espiritualidade, nós aqui na Terra chamaríamos de hipocrisia pois sabemos melhor do que ninguém julgar... mas do lado de lá esse tipo de atitude não é levado em conta, simplesmente se perdem em meio a multidão de pessoas que desconhecem nossa verdadeira pequenez...

Dar o alimento, pagar o dízimo, visitar um orfanato ou asilo... é tudo muito válido, mas de nada adianta se para aquele que está ao seu lado você não oferece uma palavra amiga ou uma mão salvadora... Quantas vezes vemos pessoas ditas caridosas saindo do seio de sua família, deixando para trás irmãos necessitados de amor, paciência, cuidado e carinho para se juntar ao seu templo em visitas planejadas a casas de apoio, hospitais etc... Muito bonito aos olhos dos homens orgulhosos de seus esforços que estão sendo mostrados a todos mas muito triste para aquele que em casa sozinho se questiona o porque do desamor...

Chico Xavier certa vez, saindo com um grupo para alimentar os pobres, parou por um longo tempo para ouvir um pedinte contar piadas, o pobre homem perdido nas drogas e no alcool para os outros do grupo parecia perda de tempo, não era digno da atenção do Chico... mas ao se afastar ele simplesmente disse "a verdadeira caridade de hoje já foi feita" ... Quantas vezes viramos as costas para o outro no momento em que mais precisam, quantas vezes deixamos de estender a mão, deixamos de dar um abraço, quantas vezes no pior momento de alguém nos tornamos mais um espinho ao invés de ser bálsamo que alivia...

Acho fácil amar os que a mim se juntam na casa espírita, fácil amar aquelas pessoas que pra mim são perfeitas, que se abraçam, que cuidam de mim, que nunca me negaram uma palavra, que nunca me julgaram, que nunca me abandonaram independente de eu estar certa ou errada... Fácil me encontrar ali onde todos conhecem meus erros e ainda assim parecem não se importar, onde tudo é perdoado e esquecido, onde o amor e a energia do bem parece manter a gente em total comunhão com a espiritualidade. Difícil é amar o próximo mesmo, os que dividem conosco os dias, as horas, as festas... os que se julgam superiores, os que desprezam os sentimentos, os que apontam o dedo e condenam sem misericórdia cada ato falho seu... Ah como é difícil manter a energia do bem, como se torna penoso a troca... e são nesses que encontramos nosso verdadeiro eu, é exatamente nessas situações que podemos ver com clareza todos nossos verdadeiros sentimentos tão pequenos e distantes do que aparentamos ser...

Acredito que a missão do verdadeiro espírita seja com sua própria melhora, com sua reforma íntima diária e constante, com a busca do perdão, com a busca do reencontro, com o desejo ardente de superar seus próprios erros...

Primeiro comigo mesmo, depois com os que habitam em meu lar, então estendo isso para minha família e amigos e só então terei verdadeiro amor para distribuir pelo mundo... Qualquer etapa pulada quebra o ciclo do amor e se transforma em atos de orgulho e vaidade.

E que fique claro que não escrevo por experiência própria, não aprendi ainda a lição... vivo em constante cuidado com meus próprios erros e em constante busca de novos acertos. Conhecer a lição nem sempre é saber fazer a lição, na prática as palavras se perdem e a atitude vai ficando para depois... mas ao menos não me coloco em pedestal de santidade e posso dizer com todo o coração que jamais virei as costas para quem quer que fosse.

Esse próprio desabafo nada mais é que um ato falho meu, um ato de julgamento que poderia muito bem ter silenciado... mas que fique para os que aqui chegarem como um aviso de cuidado, um motivo pequeno para se raciocinar sobre o que estamos fazendo verdadeiramente de nossos dias nesse mundo...

Não sei a autoria do trecho desse texto abaixo, mas foi tudo isso que ele me trouxe ao pensamento, que fez aflorar em meu íntimo... O quanto estamos distante de nossos títulos e pompas, o quanto ainda enganamos a nós mesmos por pura vaidade e orgulho...

"Há pessoas que entendem a prática da Doutrina apenas no exíguo espaço do Centro Espírita. Quando estão no mundo, na profissão, na família, numa festa, nas relações sociais, agem como se não fossem espíritas. Mas o compromisso educativo existencial do adepto do Espiritismo é justamente ser em qualquer lugar e a qualquer hora um elemento de influências positivas, um pólo de transformação do ambiente.

Sem prepotência, sem austeridade excessiva, sem pretensão à verdade absoluta, sem autoritarismo, como quem passa e serve, o espírita deve fazer brilhar seu empenho em ser melhor, sua fidelidade aos princípios éticos fundamentais, sua sede intelectual. . . procurando partilhar sua chama interior! "

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