sexta-feira, 17 de julho de 2015

Não importa a pergunta, minha resposta é sempre a mesma.

Minha mãe era uma pessoa alegre, ela não se incomodava com o que os outros pensavam sobre ela, sempre falava o que vinha a cabeça... dançava como se ninguém estivesse olhando, cantava, sorria para todos e sempre reunia as pessoas em volta dela. Errava, percebia que errava e pronto, sem culpa, sem melindres, não se condenava nem condenava ninguém... uma vez me disseram que ela era como uma criança... e realmente era. Meu pai era uma pessoa reservada, falava pouco de seus sentimentos e emoções mas sentia profundamente tudo ao seu redor. Tinha serenidade nos atos, nas palavras, nunca ouvi de sua boca uma palavra de crítica ou julgamento, era honesto, de uma seriedade ímpar com a vida e com as pessoas. Quando minha mãe me aconselhava ela quase sempre me mostrava que as coisas não tinham tanta importância quanto eu achava que tinha, quando meu pai me aconselhava ele sempre dizia para eu seguir meu coração. Esses dias uma certa tristeza tomou conta de mim, um amontoado de sentimentos, emoções, dúvidas, questionamentos... Me senti profundamente solitária em meu caminho, em minhas escolhas... me senti incompreendida, duvidei de meu próprio coração. Hoje, enquanto observava minhas filhas brincando no quintal, olhando meu filho tão pequenino rindo, dançando, tentando dar suas primeiras palavrinhas, eu me dei conta que algumas respostas são sempre as mesmas, independente da pergunta... Eu não preciso ter meu pai e minha mãe aqui para me dar a resposta, porque eles me deram essa resposta durante toda a vida deles ao meu lado... e eu praticamente pude ouvir minha mãe dizendo "Isso não tem a menor importância filha" e meu pai com seu olhar sempre tímido "continua seguindo seu coração fia"... E eu fiquei alí sentada no murinho do meu pequeno jardim, olhando meus filhos e as lágrimas caíram como que lavando minha alma. Não tenho que deixar de ser quem eu sou, sou responsável apenas pelo que sinto e não pelo que sentem por mim, se ouvir algo que não me agrade basta deixar ir, se for mau interpretada basta não tentar me explicar... o caminho é meu, as lições são minhas... ninguém precisa caminhar junto nem entender e nem aceitar. Minha mãe nunca foi de chorar pelos cantos, ela levantava dava a volta por cima e seguia sempre em frente, meu pai muitas vezes era mau interpretado em seu silencio e em suas ações mas ele jamais deixou de amar, ainda que duvidassem de seu amor... eles me ensinaram e eu havia me esquecido... Falo, escrevo, sinto, e isso é lição minha, aprendizado meu, as verdades contidas no meu agir são apenas minhas, os tropeços, os erros, as falhas... tudo faz parte da minha estrada, do meu caminhar. E quando alguém chegar aqui em minhas palavras, ou observar o meu caminhar... quando alguém compartilhar de meus sentimentos... o entender é apenas dele, o aceitar, o compreender, o buscar enxergar mais do que apenas ver, seja o que for que sentirem, é seu e não meu... Minhas crenças, os valores que defendo, minha religião, minha busca, minhas escolhas... levanto sim minhas bandeiras e levanto alto para quem quiser ver! Sejam bem vindos os que compartilham de minhas verdades e sejam bem vindos também aqueles que apenas procuram em minhas palavras as suas próprias verdades, mesmo porque as verdades de cada um são apenas suas. Cabe a mim seguir meu coração com alegria, assim como me ensinaram meus pais, cabe a mim manter a fé no que acredito e lutar para levar adiante os valores que são importantes pra mim... Não cabe a mim fazer ninguém acreditar, não cabe a mim convencer ninguém de nada, não cabe a mim fazer com que o outro entenda o que ofereço, não cabe a mim ensinar nada nem cobrar nem esperar. Me aceito, aceito meus acertos e meus erros, aceito minhas flores e minhas pedras, aceito minhas imperfeições e sigo em frente. Mantenho meu coração aberto e não vou fechar as cortinas nem acorrentar as portas. Os perfeitos que me perdoem, os que conhecem meu coração melhor que eu mesma, os que distorcem, os que manipulam o meu sentir... os que fuçam até encontrar o escuro em mim... me perdoem mas o problema é de vocês e não meu... Minha mãe ia adorar esse texto, meu pai ia achar desnecessário... Eu concordo com os dois, adorei escrever, mesmo que sabendo que é totalmente desnecessário. Mas que seja... fica assim meio que como um desabafo, meio que como uma explicação... não importa, mesmo porque cada um vai entender exatamente como quiser e não como precisar.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Aprendendo

Algumas lições são mais difíceis de se aprender, daí a vida vai repetindo as situações, vai te pondo em prova... e não tem saída, não existem atalhos... se nos deixarmos levar pela teimosia, ou aprendemos ou continuamos presos nas mesmas mágoas, nos mesmos ressentimentos. Se no momento não sou capaz de assimilar a lição o melhor é sair de cena, se dar o tempo necessário, não exigir de nós mesmos o que ainda não somos capazes de aceitar. Há tempo para tudo e preciso aprender também a aceitar o tempo do meu coração. Me ferir não é resposta, me ferir é a imposição do meu ego que quer ser melhor do que realmente sou. Admito, aceito e me perdoo... porque algumas estradas não levam a lugar algum.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sobre a Redução da maioridade penal



Isso é piada né?!?!?! Uma pipa numa gaiola??? Gente, a redução seria para menores infratores que cometem crimes graves como assassinato e estupro! Esses jovens não brincam, eles destroem famílias e pessoas. Sou a favor de uma melhor educação, de mais amor, mais humanização, mas também sou a favor de justiça. Na mesma comunidade, na mesma rua, com as mesmas possibilidades existem jovens que matam e jovens que levam a vida com dificuldade mas longe do crime... para os primeiros eu acho justo a punição, para os segundos a lei não faria a menor diferença. Quanta hipocrisia! Quero ver alguém levantar essa bandeira quando sofrer na pele a violência! Os mesmos que votaram e estão aí com essa imagem ridícula, são os mesmos que fecham os vidros de seus carros de luxo quando param nos faróis e percebem uma criança se aproximando, usam carros blindados, moram em condomínios repleto de segurança, não participam de nenhum movimento que ajude as crianças a irem por um caminho melhor! Quer esses jovens soltos na rua? Vá para a comunidade, vá fazer uma visita as favelas, vá amparar as famílias. Faça a diferença, transforme a vida dessas crianças para que elas não se direcionem para o crime e para as drogas! Podemos sim construir um mundo melhor e podemos sim evitar que jovens sejam presos futuramente, mas isso só é possível transformando as crianças de hoje e não libertando os assassinos que infelizmente não são mais crianças! Mas tá certo, é Brasil... vamos continuar ignorando a miséria, deixando nossas crianças nas ruas, abrindo nossas fronteiras para as drogas e libertando os que matam! Nessa gaiola deveria ter uma arma, a mesma que eles usam para tirar vidas de verdadeiros inocentes... e essa pipa aí deveria estar na mão de nossas crianças, que já não podem mais ficar nas ruas livremente pois nós, pais, perdemos espaço, precisamos viver trancados, porque na rua fica livre quem é protegido pelos direitos humanos. E eu aqui me pergunto... e os direitos de minhas filhas, dos filhos de gente honesta que vive na periferia mas que nunca se perdeu no crime? Fico triste ao ver um jovem com uma arma na mão, de ver como o mundo pode transformar crianças em assassinos, mas fico mais triste quando vejo um pai enterrando seu filho para a violência, quando vejo um jovem que batalhou, que lutou honestamente perder a vida num assalto qualquer... Perdemos sim, perdemos o direito de liberdade, de andar tranquilamente pelas ruas... o crime vai continuar usando esses jovens com a garantia de liberdade, eles cada vez mais estarão entregues ao crime e as drogas...