terça-feira, 15 de julho de 2008

O bordado

Quando era pequeno, minha mãe costurava muito.
Eu me sentava perto dela e
lhe perguntava o que estava bordando.
Eu observava seu trabalho de uma posição
mais baixa de onde ela estava sentada e
sempre lhe perguntava o que estava fazendo,
dizendo-lhe que de onde eu estava,
o que ela fazia, me parecia muito confuso.

Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente dizia:
- Filho, saia um pouco para brincar e
quando terminar meu bordado
te chamarei e te colocarei sentado em meu colo
e te deixarei ver o bordado da minha posição.

Perguntava-me porque ela usava alguns fios de cores escuras
e porque me pareciam tão desordenados de onde eu estava.

Minutos mais tarde,
escutava-lhe chamando-me
- Filho, vem e senta-me no meu colo.
Eu o fazia de imediato e me surpreendia
e emocionava ao ver a formosa flor e
o belo entardecer no bordado.

Não podia crer: de baixo parecia
tão confuso e desordenado,
porém, não te ocorria de que no plano acima
havia um desenho...

Agora, olhando-o da minha posição,
sabes o que eu estava fazendo .
Muitas vezes, ao longo dos anos,
tenho olhado para o céu e dito:
-Pai, o que estais fazendo?
Ele responde :
_ Estou bordando tua vida.
E eu lhe replico:
- Mas, está tudo tão confuso; em desordem.
Os fios parecem tão escuros,
por que não são mais brilhantes?

O Pai parece dizer-me:
- Meu filho, ocupa-te de teu trabalho ...
e Eu farei o meu:
um dia te trarei ao céu e te colocarei em meu colo
e então verás o plano, da minha posição.

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