quinta-feira, 8 de maio de 2014

Feliz dia das mães!

Muitas pessoas já me falaram para deixar de falar da minha mãe, para esquecer, para não ficar lembrando porque alimenta tristeza, mas eu digo que não... me faz bem falar dela, recordar, registrar em palavras minha gratidão e meu amor pela pessoa que mais me amou e me compreendeu na vida.

Minhas primeiras recordações felizes são ao lado dela, imagens que ficaram gravadas em meu coração e que ainda hoje me aquecem nos dias frios... Lembro dela me levando para a escola e da certeza de que ela estava acenando no grande portão quando eu subia o primeiro degrau, todas as vezes que olhava para trás ela estava lá sorrindo e me dando um tchau. Lembro de um dia de chuva que ela voltou pra casa para pegar sapatos sequinhos pra mim e foi me levar dentro da classe, ela foi e voltou na chuva para que eu não ficasse com os pés molhados durante a aula. Lembro de quando ela começou a vender Avon para ganhar um dinheirinho e que com o seu primeiro ganho me comprou um ursinho de pelúcia ( até hoje tenho esse )... Lembro da minha mãe ir estender roupa na laje da vizinha e de ficar mandando beijinhos pra mim lá de cima a cada 2 minutos. Lembro que ela comprou uma lousa e pendurava na parede da cozinha pra me ajudar na escola porque eu confundia o m com o n... Lembro dela escolhendo uma roupa bonita e penteando meu cabelo todo sábado de manhã, mesmo quando não íamos para lugar nenhum. Lembro dela me olhando brincar, me observando crescer, me ensinando, me amparando. Em todas as fotos e em todas as lembranças da minha infância ela está ao meu lado com aquele sorrisão que só ela tinha.

Na adolescência ela se fazia presente de uma maneira ainda mais incrível, conhecia todas minhas amigas e sempre virava amiga também... era normal sentarmos todos na sala e passarmos horas rindo e falando bobagem com minha mãe ao lado. Lembro da gente ouvindo música, contando história, arrumando o cabelo, escolhendo roupa para sair, indo comprar um monte de coisa boa pra comer quando não tinha nada pra fazer de domingo. Lembro das tardes que passávamos com minhas amigas, todo mundo de pijama jogado no sofá conversando e rindo de tudo. Minha primeira balada foi com ela, meu primeiro pagode, minha primeira madrugada no rock. Quantas vezes acordávamos de manhã e ficávamos jogadas no sofá rindo e conversando. Acho que todos que me conhecem lembram dessa época, do apartamento na moóca, das roupas jogadas na cama, da bagunça antes de sair e dos domingos de preguiça. Vestíamos a camisa do nosso grupo de pagode preferido, íamos de turma para todos os lugares... minhas amigas e as amigas de minha mãe se tornavam amigas e tudo se misturava... e era tão bom! 

Eu lembro do tempo passando, de como as coisas eram fáceis com ela por perto, de como eu me sentia segura e de como era bom ter pra quem correr quando o mundo machucava. 

Ela conheceu todos meus amigos e colegas, conheceu todas minhas paixonites e namoradinhos, conheceu todas as minhas histórias, minhas decepções e alegrias... Ela estava incrivelmente presente em tudo na minha vida... sempre por perto, sempre ao meu lado...

Quando resolvi me casar ela não deixou que fosse sem festa, eu dizia que não precisava, não tínhamos dinheiro pra isso, mas ela me conhecia e sabia o que ia no meu coração... E ela fez minha festa, realizou meu sonho, não deixou que aquele momento fosse diferente do que eu sonhava. Minha mãe foi comigo escolher nossa casa para alugar, ela me comprou todos os móveis e me ajudou a deixar tudo bonito e alegre, minha mãe estava ao meu lado quando experimentei meu vestido de noiva, ela passou comigo o dia do meu casamento, ela me deu a festa, quis que tudo fosse do melhor dentro do que ela podia me dar... e ela estava tão feliz quanto eu... E quando eu entrei vestida de noiva, com todos me olhando e o Fabio me esperando eu olhei para frente e lá estava ela... como sempre por perto, ao meu lado, me olhando com segurança e sorrindo com aquele mesmo sorrisão que todo mundo amava.

Ela ia em minha casa todo final de semana, levava o que faltava, deixava o que pudéssemos precisar, fazia questão de dar uma volta pela cidade, de me trazer um presente, de tornar minha vida mais leve e mais fácil... Quantas vezes ela era minha única amiga, quantas vezes era ela que ouvia o que eu não falava pra mais ninguém... E não importava o que fosse, não importa o que acontecesse, ela sempre estava lá pronta pra me ajudar... nunca em toda sua vida ela me deixou sozinha...

Quando me tornei mãe ela era a única que parecia compreender o amor que eu sentia, era a única que olhava para minhas filhas com o mesmo amor e preocupação que eu. Ela ia comigo em todos os exames, dividia comigo todos os momentos... estava ao meu lado no parto, nas lágrimas de emoção, a cada dúvida, a cada descoberta, a cada medo... Ela era tão mãe das minhas filhas quanto eu, fazia tudo por elas, cada roupa, cada presente, cada decisão que eu tomava, a cada primeira gripe, febre... a cada primeiro sorriso, primeiro som, primeiras palavras... tudo que acontecia eu ligava pra ela pra contar porque sabia que a alegria dela seria tão verdadeira e real quando a minha. 

Ela foi a vovó mais presente, mais companheira, mais dedicada e mais amada que já conheci. Era incrível o amor que tinha pelas minhas filhas, a dedicação, o entusiasmo, a preocupação... Ela era a única que se emocionava comigo com um primeiro chazinho, com um primeiro sorriso, com os primeiros passos ou com uma carinha mais bonita... Só minha mãe soube amar tanto quanto eu as minhas filhas, só ela entendia e compartilhava comigo todos os pequenos pensamentos de amor que eu dedicava para as meninas. E todas aquelas coisinhas bobas de criança que ninguém nem ligava faziam minha mãe chorar de emoção junto comigo... Só ela soube ver nas minhas filhas o amor que eu via, só ela soube amar as minhas pequenas tanto quanto eu amava... e esse amor nos uniu ainda mais. E apesar do meu ciúme, das brigas e discussões, apesar dos meus dias de nervoso, das minhas palavras ásperas... apesar de tudo e de todos ela sempre permaneceu ao meu lado. Nenhuma discussão durava mais de um dia, nenhum nervoso durava mais de algumas horas... Eu brigava com ela mas se algo acontecesse 10 minutos depois era pra ela que eu ligava e se fosse ruim a gente chorava juntas e se fosse bom a gente se alegrava junta...

Ela tinha uma maneira incrível de tornar tudo mais simples pra mim, de facilitar as coisas, de dar um jeitinho para que os problemas ficassem mais leves... Como ela era alegre e bonita... como soube lutar e vencer cada dificuldade da sua vida, como conseguia driblar as tristezas e transformar os dias frios... 

Ela me pagava a progressiva, me levava na manicure, trazia com ela uma sacola com os cremes mais caros para me deixar bonita, sempre sorria e me dava um saquinho com uma nova blusinha ou uma calça que ela tinha achado que ficaria linda em mim... E se o dinheiro estava curto ela trazia um brinquinho, um prendedor de cabelo, uma tortinha de morango... rs... sempre tinha um agrado pra mim.

Para as meninas então era praticamente o papai noel... nunca chegava em casa sem um saquinho de alegria... distribuía sorrisos, tirava das meninas olhos de puro amor e gratidão... Dava gosto de ver o amor que unia minhas filhas e minha mãe. E mesmo que eu achasse exagero ou que achasse que ela estava ficando maluca de tanto comprar presente, no fundo meu coração se alegrava de ver minhas pequenas tão felizes e radiantes. E de repente aquele sábado triste, sem nada de bom para fazer, cheio de problemas se transformava em festa e bagunça... e novamente a vida ficava mais fácil e mais leve...

Ela me apoiou quando decidi mudar para Arujá, foi a única que ficou do meu lado e entendeu minha luta para mudar de vida... e ela fez tudo que podia para que eu conseguisse passar por todo aquele período difícil. Escolhemos minha casa juntas, buscamos juntas por soluções para os problemas que eu estava passando... e novamente ela fez com que as coisas acontecessem, comprou móveis, orientou, amparou cada decisão minha em todos os momentos. E foi a única que se emocionou comigo com cada janela colocada no lugar, com cada piso, cada pequeno detalhe do que eu lutava tanto para que se transformasse em um verdadeiro lar. Só minha mãe entendia o que eu estava buscando, só ela compreendia a dimensão do que aquilo tudo significava pra mim... Acho que só ela desejava tanto quando eu que tudo desse certo, que tudo ficasse mais fácil e bonito e talvez por isso ela tenha investido tanto quanto eu no meu casamento e na minha busca pela felicidade em minha família... 

A gente se falava o dia inteiro, era difícil o dia que passava mais de 3 ou 4 horas sem que uma ligasse pra outra... e quando não era telefone a gente conversava pela internet, primeiro pelo orkut, depois msn, depois pelo face... Ela me chamava pra contar uma piada, pra falar de algo do trabalho, para chorar quando estava nervosa, pra rir junto comigo quando estava alegre... e eu fazia a mesma coisa o tempo todo... ligava, chamava, mandava foto, escrevia... tudo que acontecia em nossas vidas precisávamos dividir uma com a outra. "mãe você não vai acreditar nisso..." ou "Pa, dá pra falar agora?" ou "mãe caiu o dente da Duda" ou "Pa o que vai ser pro fim de semana" ... era qualquer coisa, não importava pra que mas sempre estávamos de bate papo por algum motivo... 

A gente brigava pra caramba, discutia por qualquer coisa... mas não me lembro de nenhuma briga que durasse mais de um dia, de nenhuma discussão que não fosse resolvida com uma ligação e um assunto qualquer que anulasse o anterior... Coisa de irmã, de mãe... de amiga de verdade... coisa que só nós duas sabíamos e entendíamos... como sinto falta disso... de alguém que simplesmente me olha e sabe o que estou sentindo... de alguém que me veja de verdade... que falta eu sinto da minha mãe e do seu amor...

Ela dizia que rezava por mim e pelas meninas e de como era fácil pedir por nós, de como sentia sua fé crescer quando a oração era por uma de nós... Ela dizia que tinha conhecido o amor quando se tornou vovó, sempre falava de como vivia a vida pelas meninas e por mim... Minha mãe... quanta saudade desse amor...

Todo dia das mães você comprava um presente pra mim... dizia que as meninas ficavam felizes de ter presente pra me dar... mas acho mesmo que quem ficava feliz era você de me ver feliz... Só você mesmo mãe... comprar presente pra filha no dia das mães... rsrsrs... 

Esse ano não tenho você pra me alegrar no dia das mães, acho que ninguém vai se dar o trabalho de comprar algo para as meninas me entregarem... acho mesmo que ninguém teria amor o suficiente para pensar assim... Mas não lamento pelo presente, não lamento mesmo por esses pequenos mimos... o que me dói e não poder te dizer tudo isso, não poder te dar um abraço, não poder te agradecer por tudo, por toda essa história que construímos juntas... 

Lamento profundamente que você não esteja aqui agora mãe... lamento que minhas filhas estejam crescendo sem o seu amor, lamento que meu filho jamais possa conhecer o amor da vovó Marisa... Lamento tanto por esse telefone que quase não toca mais, por essa lista de contatos aqui do lado que já não tem ninguém disponível para meus pequenos momentos de alegria ou para as novidades bobas sobre as crianças...  Lamento pelo vazio no portão de casa, pelo silêncio, pelas palavras não ditas, pelos abraços não trocados... Lamento tanto pelo futuro que você jamais viverá ao meu lado, por cada foto que eu tiro e não tenho ninguém para enviar, por cada coisinha boba que o Fabinho faz e que eu não tenho ninguém para contar... Lamento pelas musiquinhas de dia das mães que as meninas vão cantar e que você não vai ouvir, lamento pelos cartões que você não vai ler... Lamento tanto mãe... sinto tanto... 

Espero que de onde esteja exista uma maneira de receber minhas cartas, espero que algum anjo bom possa sempre te levar o meu amor e minha gratidão... E é com essa esperança que hoje te envio meu abraço mãe, te envio todo meu amor, minha gratidão, meu desejo de que você esteja bem e feliz... 

Te amo muito... muito mais do que eu consegui te mostrar e muito mais do que todos possam ver... 
Feliz dia das mães.












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